A Google é o novo paradigma do escritório tecnológico?

14 agosto, 2015 / By

¨Importar a identidade de uma empresa a outra nunca dá bons resultados¨. Arq. D. Stinchi

14 agosto, 2015 / By

Conferências Tendiez – Tendências de Design em 10 minutos – Centro Cultural Recoleta – terça-feira, 7 de julho de 2015

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Experiências em escritórios tecnológicos

 

Cada vez que Hernán Barbero Sarzabal me propõe participar neste tipo de conferências, se disparam diferentes tipos de ideias e interrogantes em relação com a atualidade da profissão e do mercado onde nos desenvolvemos como empresa de arquitetura.

Faz umas semanas fui convocado pela SCA (Sociedade Central de Arquitetos) para participar junto a empresas colegas, de uma mesa redonda para discutir sobre ¨As novas tendências na Arquitetura Corporativa¨.. Ao abrir-se o debate sobre o que virá, um colega apontou que as novas tendências terão que ver com a tipologia de escritórios Google… Essa ideia foi disparadora de longas conversas que dias depois mantive com meu sócio Cláudio Fraga.

Realmente a Google apresenta o protótipo de escritório tecnológico que virá ou é a tecnologia uma ferramenta ao serviço da arquitetura e acaso o modelo Google somente é apropriado para a Google, mas não para ser repetido?

A partir desse conceito e devendo preparar um debate sobre escritórios tecnológicos, nos baseamos neste disparador para analisar nosso campo de ação como profissionais e isso em particular nos serviu para apoiar as ideias sobre as quais nos desempenhamos dia a dia na Kraftwelt.

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Desenvolvimento tecnológico e arquitetura

 

Na Kraftwelt acreditamos que o desenvolvimento tecnológico gerou novas formas de trabalho que determinaram uma ampla possibilidade de reordenamento y geração de novos espaços destinados a funções laborais.

O fato dos novos espaços projetados não estarem vinculados a velhos conceitos, permitiu a criação de inumeráveis propostas de reursos de projeto, o que mudou os paradigmas de design. O novo paradigma permite pensar que o espaço tradicional de trabalho passou a um segundo plano sendo que a tecnologia define um novo e infinito universo projetado em uma tela.

Da mesma forma na que a tecnologia impactou sobre o espaço, impactou sobre as comunicações interpessoais. A comunicação passou a ser realizada por texto ou imagem e o vínculo direto entre as pessoas se reduziu drasticamente. Todas essas inovações tecnlógicas vividas na úlitma década impactaram nas empresas obrigando-as a rever métodos e formas de desenvolver e aperfeiçoar sua atividade não só produtiva, mas também em relação ao vínculo com as mudanças sociais que desenvolvem um novo perfil de funcionário.

Seguindo esse caminho de análise, toda essa mudança deu lugar em muitas empresas à revisão de muitos conceitos fundacionais vinculados com os ¨novos tempos¨, o que determinou a necessidade de profundizar diferentes buscas na reelaboração de uma nova IDENTIDADE.

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Projetando espaços de trabalho

 

A nosso entender hoje se geram dois grandes caminhos para nossa profissão vinculados com a tarefa de projetar espaços de trabalho: utilizar as liberdades que a tecnologia brinda para porpor novas opções de espaços criativos e atuais ou bem profundizar conceitos fundacionais das empresas encontrando os valores DE IDENTIDADE que permitam ser reelaborados conceitualmente para depois ser materializados. Entendemos que ambos caminhos se complementam.

A partir de nossa experiência reconhecemos que existem casos nos quais o cliente apresenta a necessidade de uma reelaboração de sua identidade sendo essa busca muito clara. Em outros casos nossa tarefa é fundamental para determinar critérios e conceitos que lhe permitam compreender o objetivo daquilo que procura.

O trabalho nessa busca e definição dessa identidade é nosso marco conceitual e nosso objetivo final, sendo nosso trabalho o de reinterpretar conceitos existentes e traduzi-los em termos de espaço, forma e função. A compreensão da origem da empresa, seus métodos produtivos, os critérios de vínculo com o contexto social e político, são fundamentais para nossa tarefa. A investigação que derivará em uma profunda compreensão é a que propomos como nosso método de trabalho. Conseguido esse objetivo, se possibilita para nós um processo de reelaboração das partes conceituais e materiais que constituirão a nova identidade baseada nas novas ideias sempre incorporadas em um contexto reconhecido e familiar para a empresa.

Esta tarefa que assim relatada prarece lógica e simples, é na verdade sumamente complexa já que depende dos interlocutores que dispomos por parte da empresa – cliente. Por esse motivo tentamos nos vincularcom as pessoas que ocupam as posições mais altas das empresas que nem sempre são os que ocupam cargos técnicos, lugar do qual os criterios, conceitos e buscas surgem com maior claridade.

Em um contexto totalmente universalizado, essa procura da identidade dentro de parâmetros globais de modernidade tecnológica é o caminho do éxito e o vínculo que a Kraftwelt tem com os seus clientes.

A criatividade e o uso dos recursos tecnológicos são ferramentas úteis uma vez interpretada a identidade da empresa. Cada empresa precisa resumir em uma realidade arquitetônica sua identidade e todas as identidades são diferentes a pesar de que os recursos e técnicas de implemetação sejam similares. Importar uma identidade (expressada em uma resolução arquitetônica) de uma empresa a outra, nunca dá bons resultados.

Assim deixa claro esse conceito Fabio Roszczeewski (Diretor da RE Ericsson Latam), quem participou do Worlkplace Conference Argentina 2015, quando expressa: “¨…As companhias que decidem implementar uma cultura flexível sem conhecer sua própria cultura vão direto ao desastre…¨”.

 

Um bom exemplo paradigmático de nossa história são os escritorios Johnson realizados por Wright nas que se compreende a necessidade do cliente, consegue-se uma identidade e esta identidade bem utilizada pela empresa repercutiu na sua produção.

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HISTORIA.

Em 1955 Herbert ¨Hib¨ Johnson, o mais joven da família Johnson, tinha 36 anos e queria dar à empresa familiar uma imagem mais moderna mediante a construção de novos escritórios. Para levar a cabo esse objetivo, quis contar com a ajuda de Wright, quem em um primeiro momento se negou a oferecer seus serviços já que considerava a localização do terreno para o projeto totalmente inadequado e ¨Hib¨ Johnson não cedeu diante da negativa e continuou com a ideia de criar um pequeno complexo urbanístico onde colocar os escritórios em meio a uma área verde distanciada da cidadee. Foi a esposa de Wright, Olgivanna Wright, quem conseguiu convencê-lo para que aceitasse a proposta, já que a pesar de que Wright mantinha sua fama mundial se encontrava em uma etapa profissional pouco produtiva, com poucos encargos reais e muito trabalho intelectual e de investigação sobre temas urbanísticos, uma situação que o levou a estar outra vez perto da falência.

A companhia pediu a Wright que no momento de realizar seu projeto interpretasse a ideia do sonho americano, no qual o trabalhador está contente em seu cargo, se sente realizado profissional e pessoalmente, onde as pessoas se relacionam entre si, se sentem iguais, unidas como uma grande família.

Parece ser que Wright conseguiu o seu propósito já que anos mais tarde o próprio ¨Hib¨ Johnson admitiu que graças à nova oranização dos escritórios e o ambiente que ele havia conseguido criar, o rendimento da sua empresa tinha melhorado em um 25%.

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¨A identidade nos diz do que a arquitetura precisa¨

 

A continuação vamos apresentar alguns casos de prova que aconteceram em nossa labor profissional em relação com o que expressamos neste texto.

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Caso Wendys by KraftweltCaso 1: Wendy’s, a importância da identidade.

Mesmo que a arquitetura de Retail, e em particular a da Gastronomia, não é valorada dentro das artes, entendemos que também apresentam um caso real e tangível daquilo que seus usuários precisam, saindo das intenções puramente do Cliente, necessidades às vezes invisíveis para os nossos olhos.

Há muitos anos temos acompanhado a Wendy’s em seus desenvolvimentos a nível internacional. Acompanhados pelas pessoas que na empresa trabalham, levamos a cabo a inauguração da cadeia na Argentina, no Chile e no Equador, e estamos desenvolvendo neste momento o ingresso da marca no Brasil.

Cada vez que ingressamos em uma nova cidade tomamos o tempo suficiente para poder entender as características do mercado no qual se desenvolverá o negócio: do ponto de vista demográfico, social, cultural de vínculos y acesso, costumes e imagens. Com essa combinação da vida na cidade e a necessidade de entender os seus códigos e os códigos de seus habitantes, podemos individualizar o projeto e fazê-lo responder às necessidades particulares desse mercado.

Tomando essa ideia como base e vendo como crescem as vendas da Wendy’s Corporate no mercado doméstico, os responsáveis da área de arquitetura e desenvolvimento nos convidaram para expor os nossos critérios de projeto no setor Internacional da empresa para ver a possibilidade de incorporá-las ao seu mercado interno.

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Caso Cognizant by KraftweltCaso 2: Cognizant

Este é o outro caso onde pode-se falar do trabalho com a identidade de empresa. A Cognizant é uma empresa especializada em programação e implementação de software sob o formato SAP com presença global e origem na Índia, com escritórios em Londres, Nova Iorque e São Paulo.

Quando nos convocaram, pensamos em um sistema de escritórios similar ao da Google (partindo de um negócio de iguais características). Nas primeiras reuniões os responsáveis do negócio nos deixaram bem em claro as premissas de trabalho e da identidade da empresa. Nos definiram o perfil dos seus funcionários, as áreas comuns onde se vinculariam duas culturas tão diferentes como a ocidental (argentina) e a oriental (hindu), desde os hábitos de trabalho, a alimentação as relações sociais, etc.

Partindo do nosso ponto de vista, os escritórios não chegavam a ter a mesma identidade que os da Google, a pesar de que o cliente nos deixou trabalhar livremente com cores, materiais, texturas criando um código de escritórios diferenciados por cores e gerar os espaços comuns (refeitório e terraços) como áreas de lazer sendo esse um lucro para os funcionários.

Como resultado desta experiência se chegou a projetar um ambiente amigável para trabalhar, com um importante ingresso de luz natural, de ampla flexibilidade e tecnologicamente inovador.

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Caso 3: Maerks Sealand

Este caso apresenta uma situação contrária ao anterior, no qual nos encontramos com a empresa número um no negócio de navios e de comércio exterior originário da Dinamarca. A característica tradicional da identidade desta empresa fez com que nos limitássemos a uma imagem com uma paleta de cores quase monocromática sobre a base do marrom. A pesar de que a identidade da empresa estava clara, acompanhamos o caso respeitando suas condições mas podendo gerar um ambiente agradável e que cumprisse com as necessidades de trabalho, confirmando nossas ideias sobre o uso correto da tecnologia mesmo com o selo de uma empresa tradicional.

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1Caso 4: Milberg Office

Aqui o caso era um desenvolvimento imobiliário no Tigre (Área Rincón de Milberg) onde os inversores (F&F) nos pediram desenvolver um prédio de escritórios para um usuário conhecido (residentes das urbanizações da zona de Milberg), contextualizado com a área das margens do rio e de fácil construção dentro dos parâmetros do negócio. Foi definida a identidade potencial do cliente, amigável com os arredores e dentro da lógica de um empreendimento imobiliário. O resultado foi fantástico, bem recebido tanto pelos vizinhos como por autoridades do Município.

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Conclusão
Como dizíamos na conferencia TEN Diez no Centro Cultural Recoleta, quando as novas tecnologias fazem que os âmbitos de trabalho passem todos os limites, devemos reinventá-los como profissionais da arquitetura acompanhando as empresas que procuram essa reelaboração de suas identidades com propostas arquitetônicas que satisfaçam seus negócios presentes e futuros. A tecnologia é uma ferramenta a mais, não uma tendência. KWA

 

 Veja > Conference

 

Claudio Fraga / Daniel Stinchi / Kraftwelt Argentina©2015